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Direto do congresso · Análise

A IA melhorou o trabalho das pessoas. Por que ainda não aparece no resultado das empresas?

O que vi no AI Brasil Experience 2026 e o que a pesquisa da McKinsey deste ano mostra sobre a IA nas empresas.

Por Leandro Garcia·29 out 2026·2 min de leitura
Letreiro do AI Brasil Experience 2026 no Distrito Anhembi

Nos dias 28 e 29 de outubro, fui ao AI Brasil Experience 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Foram dois dias de palestras sobre como as empresas estão usando inteligência artificial. A organização do evento citou uma pesquisa da McKinsey publicada em agosto, e ela explica bem o momento.

O que a pesquisa mostra

A McKinsey ouviu 1.719 pessoas em 97 países, entre maio e junho de 2026. Oito em cada dez dizem que a IA melhorou a própria produtividade. Mas só 37% dizem que ela já trouxe algum efeito para o lucro operacional da empresa. É praticamente o mesmo número do ano anterior.

Há outro dado. Entre as pessoas entrevistadas que trabalham em empresas com receita acima de US$ 1 bilhão, 40% dizem que a empresa já usa agentes de IA em escala; no ano anterior, eram 27%. Agentes de IA são sistemas que executam tarefas sozinhos. Entre as que trabalham em empresas menores, a parte ficou em 22%, igual ao ano anterior.

O que isso quer dizer

O ganho existe, mas ficou na pessoa. Alguém escreve um e-mail mais rápido, resume um contrato, monta uma planilha. A empresa continua trabalhando do mesmo jeito, e o tempo economizado se perde no dia.

O relatório mostra onde o efeito aparece quando aparece: redução de custo em operações de serviço, cadeia de suprimentos e produção; aumento de receita em marketing e vendas. Ou seja, quando a IA passa a fazer parte de uma tarefa da empresa, e não fica só na mão de quem usa.

O que muda para a pequena empresa

Para quem tem cinco, vinte ou cinquenta pessoas, a lição não é comprar mais ferramentas. É escolher uma tarefa que se repete toda semana, como lançar notas, conferir o extrato ou responder a mesma pergunta no WhatsApp, e medir quanto tempo ela leva hoje. Depois, automatizar só essa tarefa e medir de novo. O que importa é o que muda no caixa, não a sensação de que ficou mais rápido.

O que não muda

Cerca de 20% dos entrevistados dizem que o custo de operação da IA limitou o uso na empresa. Ferramenta tem custo, e automação mal escolhida vira despesa fixa. Por isso, primeiro vale entender como a tarefa é feita hoje, e só depois decidir se vale automatizar.

E o que diferencia o negócio continua sendo humano. A palestra de abertura do evento, do professor Clóvis de Barros Filho, tinha como título «Confiar na sua inteligência não é artificial».

Em uma frase

A IA já ajuda quem usa. Para aparecer no resultado, ela precisa entrar numa tarefa da empresa, e no pequeno negócio isso começa por uma tarefa, não por um projeto.

Fonte: McKinsey & Company, The state of AI in 2026: On the road to ROI (agosto de 2026), de Dan Tinkoff, Lieven Van der Veken e Michael Chui, com Tara Balakrishnan.